4 . Organizando o tratamento

Aqui reuniremos, sucintamente, o passo-a-passo do tratamento que Luana fez e está fazendo. Todos eles foram orientados por médicos, mas, ainda assim, muitos deles foram sendo “testados” por nós na base da “tentativa e erro”, já que não é possível haver total objetividade sobre o que pode funcionar ou não. Assim, temos:

1   .   Tratamento paliativo ou sintomático:

Para suportar o período de dor e de limitação de movimento e para ajudar a sair desse período de crise.Luana fez isso em dezembro de 2007 e janeiro de 2008, e novamente em junho de 2009. Consistiu de:

– Analgésicos e antiinflamatórios para a dor (o mínimo de tempo possível, para evitar efeitos adversos dos remédios);

– Posição com pernas elevadas acima do nível da cintura o máximo de tempo possível;

– Reduzir, enquanto estiver tendo dor, os movimentos de extensão e flexão do joelho (o que faz Luana andar com a “perna reta”). Ela chegou a usar imobilizador para membro inferior, mas este parece comprimir a patela sobre o hemangioma e talvez piore o quadro;

– Fazer compressa com gelo no joelho, durante 20 minutos, pelo menos 4 vezes ao dia (visando ação antiinflamatória);

– Usar meia elástica de alta compressão. Isto Luana ainda não fez, por ser uma tentativa que não sabemos ao certo se melhorará ou piorará o hemangioma. Mas relataremos aqui quando isso for feito;

– Uso de medicações chamadas de “vasotônicos” ou “vasoprotetores”. Embora não haja consenso entre os angiologistas se este tipo de medicação realmente é benéfica para hemangioma, principalmente intra-articular, como é uma medicação sem grandes riscos, iniciamos há pouco tempo  mais essa tentativa de melhora clínica do período doloroso (e depois veremos se ela ajuda a prolongar o período sem crise).

– Ter paciência e esperar. Como se vê, nos períodos de crise, não estamos tendo muito o que fazer. Em 2007, após diagnosticado o hemangioma, foram 2 meses com este tratamento paliativo. Agora, em 2009, já passou um mês sob este tratamento conservador (o mês de junho). A dor constante já desapareceu, porém retornando ocasionalmente com “pontadas”, a qualquer tentativa de Luana de sair desse esquema de “tratamento conservador” (ou do estilo de vida “vegetal”, como costumamos brincar. Afinal, mantemos nosso bom humor). Mas, além de esperar, e antes mesmo de se ficar plenamente bem, já sabemos que é necessário iniciar fisioterapia, mesmo que de forma muito lenta, e com muito cuidado – o que requer profissionais muito dedicados e criteriosos, o que, felizmente, Luana encontrou – o que nem sempre é fácil. Aliás, profissionais  e serviços de reabilitação são fundamentais para todas as etapas e modalidades de tratamentos como o de Luana.

2   .   Tratamento de reabilitação (fisioterapia)

Inicialmente Luana tentou reabilitações por conta própria ou com profissionais que não tinham a capacidade de avaliar a real limitação que seu hemangioma de joelho provocava O que é compreensível, dada a raridade do diagnóstico). Assim, várias tentativas foram feitas, muitas delas, entretanto, até piorando e prolongando os quadros dolorosos.

Antes mesmo do diagnóstico de hemangioma (em 2007), Luana passou a vida toda ouvindo de médicos que ela precisava fazer exercícios para fortalecer a musculatura da coxa, a fim de melhorar a situação de dor recorrente em seu joelho. Em 2007, com seu joelho doendo e com perda de mobilidade, a situação não foi diferente. Assim, então, desde esse período, passamos a anotar o que foi bom e o que foi ruim em termos de reabilitação:

O que não funcionou:

– academia. Geralmente os profissionais de academia não são fisioterapeutas e/ou não têm preparo para reabilitação de doenças complexas. Principalmente bicicleta e exercícios diretos para fortalecer o quadríceps foram bem ruins para o joelho de Luana.

– esportes com impacto (incluindo corrida) parecem ter sido dos principais fatores que provocaram sua crise de 2007, juntamente com o uso de anticoncepcional oral.

– natação. Embora ainda iremos tentar de novo (mas desta vez com orientação especializada), em 2008 as aulas sem preparo especial parecem ter aumentado o volume do joelho e começado novo quadro doloroso (que cessou quando Luana abandonou a natação).

O que funcionou:

Hidroterapia, sob orientação individual de fisioterapeuta em uma clínica supervisionada por um profissional criterioso e experiente, que iniciou a reabilitação de Luana de forma muito lenta e sem apressar os exercícios.

3   .   Protocolo para conduta cirúrgica

Além disso, estamos pensando mais (e ouvindo nossos médicos, dr. Fabrício Lenza e dr. Gustavo Paludetto, bem como outras opiniões), sobre o que mais podemos fazer a partir de agora para tentar diminuir os períodos de dor e as limitações a que Luana tem ficado exposta.

Também com o auxílio do Dr. Paulo Henrique Farias (ortopedista especialista em joelho), que muito gentilmente tem mantido contato para nós com uma equipe do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, foi organizado um razoável protocolo do que pode ser feito, e quando, em relação à evolução de um quadro de hemangioma sinovial como o de Luana. O esboço deste protocolo é o seguinte:

1 – Se não há dor importante e a articulação não está degenerando (com perda de cartilagem) e não há crescimento do hemangioma: tratamento conservador (fazendo-se ressonância comparativa com certa frequência).

2 – Se há dor sem degeneração progressiva da articulação: escleroterapia com injeções de álcool.

3 – Se a injeção falhar ou houver evolução da doença: cirurgia (sinivectomia).


De qualquer modo, este protocolo não é consensual nem definitivo, por ser tratar de um acometimento raro, que não permite um grande número de casos estudados. Ainda assim, ele nos pareceu bem coerente e nos deu algumas diretrizes.

4  .   Cirurgia para remoção do hemangioma

Por enquanto sabemos muito pouco sobre a cirurgia que pode ser realizada no caso de Luana. Iremos acrescentar o conhecimento que adquirirmos gradualmente neste espaço.

Até o momento sabemos o seguinte:

O Hemangioma, apesar de benigno, tem alta incidência de recidiva e para fazer uma ressecção com margem segura, algumas estruturas importantes podem ser pelo menos parcialmente ressecadas.

– Como o tumor é altamente infiltrativo, a pele e o subcutâneo poderão estar comprometidos, sendo necessária a avaliação de cirurgião plástico (para o caso de se necessitar de “retalhos” de pele).

– Após a cirurgia com sinovectomia extensa é importante iniciar a mobilização imediatamente e sob sedação, com o paciente internado e até com cateter de peridural.

One Comment em “4 . Organizando o tratamento”

  1. Luana Says:

    Luana,

    Gostaria de saber onde o Dr. Paulo Henrique Farias (ortopedista especialista em joelho) atende e o contato dele, pq tenho um hemangioma cavernoso na perna que tem massacrado o meu joelho, pois eu tenho 27 anos e já tenho artrose, sendo a idade osséa do meu joelho equiparada a um idoso de 60 anos. Portanto, sinto fortes dores, pq quase não tenho mais cartilagem e como vc deve saber esta não se reconstitue.
    Assim, vivo apreensiva com o meu futuro, pois temo com o tempo perder os movimentos devido a degeneração e o pior é que os médicos que procurei no meu estado (RN) não indicam tratamento. Por isso, queria ouvir uma outra opinião e quem sabe vislumbrar uma alternativa.

    No aguardo da resposta,

    Um abraço,
    Luana Silva


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