2 . Perguntas e respostas

Pessoal, coloquei aqui Perguntas e respostas sobre o meu tipo de hemangioma específico, que é Hemangioma sinovial ou Hemangioma intra-articular de joelho. Caso vc queira fazer alguma pergunta, escreva no último post publicado, terei prazer em responder, na medida do possível. Mas aviso: Não sou nenhuma profissional da área, apenas alguém que há 3 anos descobriu que tem este problema e desde então vem buscado amenizar a dor. Se vc tem hemangioma ou conhece alguém que tenha, estude, pesquise, entre para os fóruns de discussão, pois tem muita gente trocando experiências parecidas (veja aqui os links) e principalmente, procure um especialista. Um não, vários! E só faça algum procedimento quando se sentir totalmente seguro e confiante disso. Na página de serviços e profissionais tem alguns especialistas que me acompanham e outros que já consultei ou que já emitiram algum posicionamento em relação ao meu caso.

t. Bóla pra frente que atrás vem gente!

1   .   O que é hemangioma?

Hemangioma não é neoplasia, quer dizer, não é tumor, nem benigno, nem maligno. Ou seja, não é câncer. Hemangioma é uma má formação vascular, uma espécie de defeito na formação dos vasos sanguíneos de alguma parte do corpo. Geralmente a criança já nasce com o hemangioma ou ele aparece nos primeiros meses de vida. Pode ser grande ou pequeno, profundo ou superficial (ver link). Costuma ser visível como uma mancha roxa ou violeta na pele, elevada e que pode sangrar com certa facilidade. Muitas vezes tende a crescer nos primeiros anos de vida da criança, mas depois disso tende também a regredir espontaneamente, muitas vezes até podendo desaparecer por completo. Em um menor número de casos, contudo, o hemangioma perdura durante a vida adulta, às vezes causando problemas, outras vezes sem incomodar (além da estética).

2   .   Por que às vezes é tão difícil tratar um hemangioma?

Embora muito freqüente na população em geral, hemangioma é um tipo de problema que não ganhou muita notoriedade dentro da medicina. Frequentemente a maioria dos médicos não sabem, não gostam e não se dispõem muito a tentar algum tratamento. Até bem pouco tempo atrás muitos pediatras aconselhavam os pais a não fazerem nada, na esperança de que o hemangioma fosse desaparecer à medida que a criança crescesse. Embora pareça não haver um consenso médico muito bem definido, nos últimos anos isso mudou. Os poucos profissionais e serviços que se dedicam a tratar pessoas com hemangiomas parecem estar aconselhando mais frequentemente que se tente algum tratamento ainda com a criança bem pequena, em lugar de apenas esperar que o hemangioma espontaneamente regrida. Muitos médicos, contudo, têm muito medo de “mexer” no hemangioma, por receio de que, ao tentar alguma cirurgia, por exemplo, essa cirurgia funcione como um estímulo a mais para o hemangioma crescer. Isso porque os hemangiomas parecem realmente ter uma tendência de aumentar de tamanho à medida que são “manipulados” ou “machucados”. Se uma criança cai e fere o seu hemangioma, por exemplo, ele pode sangrar, ficar doloroso e, no processo de cicatrização, acabar crescendo.

Por tudo isso, são poucos os profissionais e serviços verdadeiramente capacitados para tratar pessoas com hemangiomas, principalmente aqueles hemangiomas mais complexos, grandes demais ou que surgem em locais problemáticos (no rosto, nas vias respiratórias, no cérebro, no fígado, no interior de ossos, em articulações).

Além disso, os tratamentos costumam ser prolongados, caros e exigindo várias técnicas e especialistas diferentes: cirurgia pediátrica, cirurgião vascular, cirurgião plástico, laserterapia e outros especialistas a depender da localização de cada hemangioma (neurologista, ortopedista, etc).  Freqüentemente se torna muito caro para os hospitais manterem tratamentos tão complexos, não compensando muito, do ponto de vista da medicina privada (comercial), investir em tratamentos de ponta para casos difíceis de hemangioma. Isto faz com que os serviços disponíveis quase sempre estejam em poucos e selecionados hospitais públicos, fundações e hospitais filantrópicos. Pelo mesmo motivo, os planos de saúde também costumam dificultar bastante a liberação de recursos para tratamentos de hemangiomas. É freqüente ver pessoas entrando na justiça para obrigar seus planos de saúde ou governos a custear os tratamentos, os quais frequentemente têm que ocorrer em cidades distantes.

3   .   Qual o problema de um hemangioma dentro de uma articulação?

O primeiro problema é a raridade deste acontecimento. Mesmo os especialistas que costumam atender regularmente pessoas com hemangiomas se mostram inseguros ou despreparados diante de um hemangioma dentro de uma articulação. São poucos os casos de hemangiomas intra-articulares descritos na literatura científica, o que deixa os médicos sem embasamento para saber o que fazer ou o que não fazer em tais casos. E esta insegurança dos profissionais gera ainda mais insegurança nos pacientes, principalmente enquanto estão em período de dor e sem saber o que exatamente vem a ser um hemangioma.

O hemangioma dentro de uma articulação parece gerar uma dificuldade para que as funções normais da articulação se estabeleçam. Costuma haver uma tendência maior da articulação para inflamar (ter artrites e derrames articulares de repetição), o que costuma gerar também, a longo prazo, atrofia da musculatura do membro (pela imobilidade por conta das artrites de repetição) e ainda maior tendência a novas crises de dor e de inflamação, num ciclo vicioso que tende a se perpetuar. Alem disso, às vezes o hemangioma pode sangrar dentro da articulação (o que se chama hemartrose), gerando uma dor bastante intensa. A longo prazo, com tudo isso acontecendo, pode haver uma maior tendência da articulação em sofrer artrose (se enrijecer). Todo o tempo, portanto, esses ciclos de dor, imobilidade, fragilidade muscular e sangramentos precisam ser interrompidos pelos tratamentos possíveis em cada momento.

4   .   Quais os tratamentos mais comuns para hemangioma?

Existem os tratamentos clínicos (ou conservadores), as pequenas intervenções cirúrgicas e as grandes intervenções cirúrgicas.

Os tratamentos clínicos costumam envolver, a depender de cada caso, da idade do paciente e da localização do hemangioma, alguma combinação das seguintes possibilidades:

–  Apenas acompanhar e não fazer nada (nenhuma cirúrgia), com educação do paciente e da família sobre a benignidade do caso e cuidados a se ter;

– Uso de hormônios ou quimioterápicos que possam ajudar a regredir ou a não deixar crescer o hemangioma (interferon, propranolol, etc);

– Uso de luvas ou meias (ou algum tipo de rede de contenção) que comprimam um pouco o hemangioma, impedindo-o de crescer livremente. Isso, claro, para os hemangiomas superficiais;

– Cuidados posturais (manter pernas elevadas, por exemplo, para ajudar o retorno venoso, no caso de hemangiomas em pernas; e evitar longos períodos em pé, e mesmo sentado, sem movimentar as pernas).

Já os tratamentos com pequenas intervenções cirúrgicas costumam envolver:

– laserterapia (para os hemangiomas superficiais, geralmente aplicada por dermatologistas);

– embolização (que é um procedimento de cirurgia vascular para hemangiomas que tenham pequenas artérias nutridoras detectáveis e de maior calibre)

– escleroterapia (que é a injeção de alguma substância dentro do hemangioma que provoque seu colabamento, o seu “secamento”, por assim dizer);

E, por ultimo, têm-se os tratamentos cirúrgicos propriamente ditos, que são as cirurgias que objetivam remover todo o hemangioma ou parte dele (geralmente chamada de sinovectomia total).

5   .   Por que não opera logo???

No caso de Luana, uma pergunta que frequentemente ouvimos, até de médicos, é esta: “Por que não opera logo e acaba com isso?”. Se fosse tão simples assim, obviamente já o teríamos feito. Porém geralmente os profissionais que têm qualificação técnica para fazer tal cirurgia tendem a pensar nos riscos e benefícios de se fazer esta operação.

Quais, então, são os riscos da cirurgia para um hemangioma sinovial difuso de joelho *cirurgia que se chama sinovectomia total), além dos riscos inerentes a qualquer ato cirúrgico?

– A perda de tecidos normais do joelho ao se tentar remover a maior parte do hemangioma (pele, partes de tendão e músculos, superfícies de ossos, além da perda de uma estrutura muito importante da articulação, que é a sinóvia, uma membrana que envolve a cápsula articular e que produz o líquido que lubrifica a articulação);

– Como grande parte da sinóvia é retirada na cirurgia (pois o hemangioma está “colado” nela), para evitar que o joelho “resseque” e fique com perda de mobilidade, é preciso que, já nas primeiras horas seguintes à cirurgia, se inicie uma “fisioterapia passiva”, com o paciente sob anestesia, para que o joelho recém-operado seja movimentado, impedindo que as estruturas cicatrizem “coladas” entre si (ou seja, para reduzir o risco de “fibrose”);

– Mas, mesmo com tudo isso dando certo, a longo prazo (10, 20 anos) um joelho com pouca quantidade de sinóvia e de líquido sinovial pode desenvolver artrose, ficando progressivamente rígido e doloroso. Tudo isso faz com que os médicos mais criteriosos optem por esgotar todas as possibilidades de tratamentos não-cirúrgicos antes de indicarem uma cirurgia aberta para se remover o hemangioma. E faz com que os pacientes tenham uma tendência a não querer operar, à medida que outras possibilidades terapêuticas tenham êxito.

6   .   Quais são as outras possibilidades de tratamento do hemangioma sinovial além da cirurgia?

No caso de uma hemangioma dentro de uma articulação, não são muitas as possibilidades de tratamento. Em primeiro lugar, temos os tratamentos conservadores, clínicos:

– Podem ser usados remédios para a dor e anti-inflamatórios nos períodos de crise. Também podem ser usados nestes períodos compressas de gelo e se manter os membros elevados a maior parte do tempo;

–  Nos períodos sem crise, ter o hábito de elevar as pernas várias vezes ao dia, não praticar exercícios com impacto (pular, correr) e tentar se exercitar (dentro dos limites e sob supervisão  profissional) para tentar fortalecer um pouco a musculatura da perna;

– Evitar usar medicações que podem piorar o hemangioma como anticoncepcionais orais;

– Também pode ser válida a tentativa de usar meia elástica para facilitar o retorno venoso da perna (mas esta meia deve ser prescrita por um médico que entenda de indicação de meias para a compressão – não é qualquer meia e de qualquer jeito que pode funcionar).

Como intervenção de pequena cirurgia, acabam restando (sem ser a cirurgia aberta), duas possibilidades,  dentre o que avaliamos até o momento (junho de 2009):

1 – A embolização do hemangioma (que é uma espécie de entupimento intencional de vasos sanguíneos que nutrem o hemangioma), mas apenas se houver alguma artéria que “alimente” o hemangioma (o que parece não ser o mais freqüente nos hemangiomas sinoviais de joelho);

2 – A escleroterapia com alguma substância que provoque irritação e “secamento” do hemangioma. Parece ser mais comum, neste caso, o uso de álcool como substância esclerosante. Ainda assim, este parece ser um procedimento tecnicamente difícil de ser realizado em um hemangioma situado dentro de uma articulação, tendo também seus riscos (de afetar outros tecidos e mesmo a própria articulação) e não havendo muita certeza quanto ao resultado benéfico. Além disso, é um procedimento que poucos profissionais (cirurgiões vasculares) e serviços estejam efetivamente fazendo. Em termos de hemangioma intra-articular, tivemos notícia, até o momento, no Brasil, apenas de uma equipe do Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto que já tenha realizado tal procedimento (e em muitos poucos casos).

2 Comentários em “2 . Perguntas e respostas”


  1. Olá!
    Tenho 54 anos, e desde muito pequena, tenho algumas pintinhas (de sangue, por todo o corpo, inclusive no couro cabeludo, do qual, foi retirado uma pintinha dessa, para biopsia, cujo laudo foi hemangioma venoso superficial.Ainda não levei ao médico para ser visto(laudo).Tenho constantes dores no pé e na perna esquerda.Fiz um dopler nas duas pernas ,onde foi diagnosticado, refluxo em VSM E em 1/3 medio e distal de perna E. Pergunta:Tem alguma relação entre as duas coisas? Obrigada

    • Luana Says:

      Olá Aldona,
      Infelizmente não posso responder a esse tipo de questão, pois não sou médica. Aconselho vc a procurar médicos especialistas para analisar com detalhes seu problema. O ideal seria vc acompanhar com um dermatologista e um angiologista (vascular). Espero que dê tudo certo, bjs!


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